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Câmara de Vereadores de Passo Fundo/RS

NOTÍCIA

HISTÓRIA

Odilon Soares de Lima deixou marca de vereador atuante no Legislativo

A série “Revivendo Passo Fundo” desta semana lembra a trajetória de um ex-parlamentar que é lembrado por sua atuação intensa e representatividade junto à comunidade. Odilon Soares de Lima foi funcionário público, vereador por quatro mandatos, vice-presidente do Legislativo duas vezes e teve contribuição decisiva na reestruturação do funcionalismo municipal, além de ser reconhecido por sua atividade pela população operária.

Odilon nasceu em Vacaria (RS) no dia 20 de abril de 1924, tendo feito seus estudos na sua terra natal e logo iniciado sua vida profissional em conjunto ao seu envolvimento com a vida pública. Ele se filiou ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) já na década de 1950 e teve grande atuação nos seus diretórios local e regional.

Nesse período, ele fixou residência em Passo Fundo em busca de oportunidades, o que logo conseguiu, pois se estabilizou no município como funcionário público municipal. Enquanto seguia com sua carreira profissional, Odilon se envolvia ainda mais com a vida pública do município, logo obtendo notoriedade.

Devido a isso, concorreu pela primeira vez ao Legislativo passo-fundense nas eleições municipais de 1959, sendo eleito vereador pelo PTB. Na 4ª Legislatura (1959-1963), ele foi membro titular da comissão especial de reforma do estatuto das Comissões de Legislação, Redação e Obras Públicas e Nomenclatura de Ruas. Nesse seu primeiro mandato, ele já obteve considerável destaque.

Por consequência disso, Odilon concorreu novamente pela mesma legenda a uma cadeira no Parlamento Municipal em 1963, tendo êxito obtendo votação bem maior comparada ao pleito anterior. Na 5ª Legislatura (1963-1969), ele atuou como 2º Secretário da Câmara, também como Presidente da Comissão de Orçamento e Tomada de Contas, além de ter sido vice-presidente da Câmara. Durante este mandato, Odilon sofreu consequências por seu posicionamento e destaque políticos sendo um dos parlamentares passo-fundenses presos pouco depois da instauração da ditadura militar no Brasil. Além dele, outros nomes como os também vereadores Ernesto Scortegagna, Meirelles Duarte, Gilberto Tubino e o ex-prefeito Benoni Rosado, foram detidos e enviados ao Batalhão Policial de Porto Alegre, onde permaneceram por cerca de 30 dias. Mesmo com o constrangimento da situação, eles não tiveram seus mandatos nem seus direitos políticos cassados.

Além desta situação enfrentada por Odilon neste período, ele teve de aderir ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), devido ao bipartidarismo indicado pelo Ato Institucional nº 2 e Ato Complementar nº 4 de 1965, que extinguiram os partidos políticos. Esta sigla havia sido oficializada como oposição aos militares.

Já pelo MDB, Odilon concorreu ao Legislativo e teve novo sucesso nas eleições municipais de 1969, se mantendo entre os parlamentares mais votados. Na 6ª Legislatura (1969-1973) ele foi membro titular de várias Comissões Técnicas da Câmara, também foi 4º Secretário da Câmara em 1972 e, antes disso, fora novamente vice-presidente da Câmara em 1971.

Após esse mandato, Odilon tentou um novo passo em sua carreira política com a comprovação de sua popularidade e respaldo junto à comunidade, além da representatividade política conquistada durante seus mandatos na Câmara. Na época, a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o MDB tinham direito a lançar subcapas para eleição ao Executivo. No pleito municipal de 1972 cada sigla lançou duas subcapas, com Odilon sendo candidato a prefeito em uma delas e Walter Vieira como seu vice. Porém, mesmo com seu currículo na Câmara ostentado, ele não obteve sucesso, tão pouco o MDB. Nesta oportunidade, a chapa vencedora foi Edu Villa Azambuja para prefeito e Juarez Paulo Zílio como vice, representando a Arena.

Mesmo assim, Odilon voltou com força na política com nova candidatura ao Legislativo nas eleições municipais de 1976, conseguindo novo mandato representando o MDB. Na 8ª Legislatura (1977-1983) ele foi 4º Secretário da Câmara no biênio 1981/1983, também Presidente da Comissão de Orçamento e Tomada de Contas e membro titular da Comissão de Legislação e Redação. Além disso, ele é muito lembrado por ter sido vice-presidente da Comissão Especial de Reforma do Estatuto do Funcionário Público Municipal em 1977, o que representou uma modernização nas normas que tratam dos servidores do Município. Ainda durante este mandato, ocorreu a volta do pluripartidarismo em 1980. Com isso, Odilon optou por representar o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Após seu quarto mandato, Odilon Soares de Lima não concorreu mais a cargos eletivos e faleceu em Passo Fundo no dia 16 de junho de 1984. O reconhecimento aos seus serviços prestados ao município veio postumamente. Uma rua com seu nome foi nominada no Loteamento Leonardo Ilha em 1994. Anos depois, em 2001, uma Resolução da Mesa Diretora da Câmara de Passo Fundo denominou com seu nome a sala da Divisão Administrativa da Casa. Em 2014, a Câmara realizou Sessão Solene em homenagem aos vereadores da 5ª Legislatura (1963-1969), na qual alguns sofreram a mencionada prisão em 1964. Odilon foi um dos homenageados in memoriam.

Arte: Comunicação Digital / CMPF