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Câmara de Vereadores de Passo Fundo/RS

NOTÍCIA

HISTÓRIA

Jorge Barbieux trabalhou pelo desenvolvimento industrial e econômico do município

A série “Revivendo Passo Fundo” trata de recuperar trajetórias de pessoas que deixaram sua marca ou legado no município. O personagem da primeira edição de 2023 é o industrial, vice-cônsul, líder comunitário e técnico cervejeiro Jorge Barbieux. Ele se notabilizou por seu empreendedorismo no ramo de bebidas, além de se destacar como líder comunitário e atuante em causas ambientalistas. Ainda possui em seu currículo o cargo de vice-cônsul da Áustria, exercido no município, possuindo uma rua e uma escola profissionalizante com seu nome como forma de reconhecimento.

Jorge Barbieux nasceu na localidade de Saint Gall, na Suíça, no dia 29 de novembro de 1867, ficando em seu país natal até os seus 16 anos de idade. Segundo registros, ele estudou inicialmente na Wormser Braner Schule-Worms, e, tempos depois, cursou e fez estágio na Arminius Drauerrei-Kohlstad. Mais um tempo subsequente, Jorge ingressou como técnico na Fábrica de Cerveja “La Alemanha” de Valência (Espanha). Nesse local, ele estudou e aprimorou seus conhecimentos a respeito de cerveja, se tornando protagonista como técnico.

Após um período no qual adquiriu conhecimento e experiência na matéria, a demanda começou a crescer na América do Sul para fabricação da bebida. Logo, Jorge foi enviado a Buenos Aires (Argentina) para trabalhar como técnico cervejeiro em 1896, estabelecendo residência e operando neste país por alguns anos, chegando a solicitar cidadania argentina. No entanto, ele teve dificuldades para se estabelecer em uma morada definitiva, de modo que decidiu se transferir para outro país.

Desenvolvendo essa ideia, Jorge soube de uma organização cervejeira de certa fama, a “Boop, Sassen, Ritter & Cia”, situada em Porto Alegre (RS). Logo, ele efetuou sua transferência para o Brasil, se radicando na capital gaúcha. Nesta empresa, ele executou tarefas importantes, como apresentação de produtos novos, chegando a ser diretor técnico desta instituição. Jorge passou a virada de milênio atuando nesta empresa, onde ficou até 1914, quando se transferiu para Montenegro (RS) onde trabalhou como técnico da Fábrica de Cerveja Jahn.

Neste mesmo ano, teve início a Primeira Guerra Mundial, o que coincidiu com nova mudança de ares para Jorge. Ele deixou a fábrica Jahn e se transferiu para Passo Fundo. Em 1915, ele começou as atividades do primeiro estabelecimento cervejeiro de expressão regional, chamado “Cervejaria Bramatti & João Corá”, então um estabelecimento modesto e pequeno. No entanto, não demorou muito para se destacar no mercado do ramo com a fabricação da cerveja “Gaúcha”, que foi considerada uma das melhores da região neste período. Este empreendimento havia sido fundado em 1910 pelos descendentes italianos Jorge Corá e Alexandre Bramatti e vendida em 1915 para Jorge e os irmãos Otto e Hugo Bade, passando a se chamar “Cervejaria Serrana”. Entre o final dos anos 1910 até o final dos anos 1940, o seu produto foi protagonista no mercado com a empresa sendo considerada a maior indústria da cidade.

Ao se consolidar como industrial em Passo Fundo, Jorge logo requereu a cidadania brasileira, no que foi atendido desta vez. Ele aprendeu a admirar e respeitar a cidade e a comunidade passo-fundense que lhe acolhera se aprofundando nos temas pertinentes à cidade. Tal reconhecimento veio de fora do Brasil também, quando Jorge foi nomeado Vice-Cônsul da Áustria, segundo registros, em 27 de dezembro de 1927, pelo então presidente Wilhen Miklan. Neste cargo, ele exerceu tarefas diplomáticas relevantes, tendo seu respaldo reforçado como uma voz da população, além de já ser um respeitado empreendedor. Por seus relevantes serviços prestados neste posto, foi condecorado pelo mesmo presidente que o nomeara com a Medalha de Honra em 10 de agosto de 1932.

A parceria estabelecida entre Jorge e Otto Bade foi muito frutífera, pois a Cervejaria Serrana fora protagonista no mercado cervejeiro por um bom tempo. Durante vários anos consecutivos, eles foram considerados os fabricantes da melhor cerveja do interior rio-grandense. Outro dado relevante neste contexto, dá conta de que eles implantaram o primeiro estabelecimento cervejeiro de importância em Passo Fundo, com produção capaz de atender à demanda no consumo desta imensa região.

Já como cidadão brasileiro naturalizado, Jorge participou de muitas campanhas políticas de âmbito municipal, estadual e nacional, ratificando seu apreço pelas demandas da comunidade. Dentre elas, demonstrou enorme interesse pelas causas ambientais, sendo devoto estudioso da flora e da fauna do Rio Grande do Sul. Nestes tópicos, segundo registros, ele sempre demonstrou muito carinho e dedicação, levando totalmente a sério um tema que era incomum de ser abordado publicamente até então. Tanto que recebeu diversos prêmios como reconhecimento a sua atuação nestes estudos, além dos pertinentes a sua atividade comercial e industrial. Dentre as comendas e colaborações, destacam-se a atuação como membro da Academia de Ciências de Baviera e a sua contribuição à Coleção Zoológica desta entidade, o que lhe valeu concessão da Medalha de Prata “Bene-Morenti”, pelo seu alto espírito científico e grande merecimento ao progresso da ciência zoológica.

Jorge viveu intensamente em Passo Fundo por quase 30 anos, se retirando do município em 1944, deixando sua marca pela luta quanto ao progresso industrial e o desenvolvimento econômico, sem descuidar dos valores espirituais das pessoas e a harmonia da comunidade. Ele deixou um nobre exemplo enquanto empreendedor, além de se destacar amplamente na prática de sua profissão enquanto técnico cervejeiro. Após sua partida de Passo Fundo, a Serrana ainda atuou até 1947, quando fora vendida para a Companhia Cervejaria Brahma, seguindo as atividades desta vez como filial. Mesmo não se chamando mais “Serrana”, ela seguiu por muito tempo como uma das maiores referências de desenvolvimento urbano e econômico de Passo Fundo pelas décadas seguintes, até o encerramento de suas atividades em 1997.

Jorge Barbieux era casado com Maria Luiza Broler desde dezembro de 1900, com quem teve os filhos Walter, Constance, Bruno e Dagmar. Ele faleceu em Porto Alegre, aos 77 anos de idade, no dia 25 de janeiro de 1945, no Hospital São Francisco. Em 5 de agosto de 1972, foi inaugurada a Agência do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) de Treinamento de Passo Fundo, e teve seu nome colocado como homenagem, o que atualmente é o Centro de Educação Profissional Jorge Barbieux. Uma rua no bairro Planaltina também leva seu nome como reconhecimento póstumo.

Arte: Comunicação Digital / CMPF