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Câmara de Vereadores de Passo Fundo/RS

NOTÍCIA

HISTÓRIA

Daniel Dipp realizou obras importantes para a cidade em seu mandato

O personagem retratado na edição desta semana da série “Revivendo Passo Fundo” é o advogado, ex- vice-prefeito, ex-prefeito e ex-deputado estadual e federal, Daniel Dipp. Além de sua intensa participação na vida pública e política municipal e estadual, foi responsável por obras marcantes para Passo Fundo, como o Hospital Municipal e a construção do aeroporto Lauro Kortz.

Daniel Dipp é natural de Passo Fundo (RS), nascido no dia 5 de fevereiro de 1915, filho de Salima e Isa Dipp, ambos imigrantes sírio-libaneses. Fez seus estudos primário e secundário em sua cidade natal e graduou-se na faculdade de direito, no ano de 1940, em Porto Alegre. Após sua formatura, ele retorna a Passo Fundo para exercer a profissão, além de atuar no ramo jornalístico.

Como membro de uma família muito bem entrosada e relacionada com todos os setores da sociedade local, segundo os registros, Daniel passou a integrar a vida pública do município, tornando-se membro do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Sua intensificação na vida política se deu após a redemocratização do país em 1945, devido à desagregação do Estado Novo.

Participou de seu primeiro pleito aos 33 anos, concorrendo e vencendo a disputa a vice-prefeito de Passo Fundo, formando chapa com o então eleito prefeito Armando Araújo Annes. Desde então, Daniel já era reconhecido pela comunidade por características como integridade, notória inteligência, além de defender o bem-estar comum e promover a justiça social.

Após seu mandato como vice-prefeito, Daniel resolveu alçar voos maiores em sua carreira política, lançando-se candidato a deputado estadual. Em outubro de 1950, seu prestígio adquirido lhe rendeu uma cadeira na 39ª Legislatura da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, de 1951 a 1955. No entanto, renunciou ao cargo para participar das eleições municipais, em 1951. Até o dia 1º de novembro daquele ano, data do pleito, a campanha foi marcada por diversas tensões entre as chapas concorrentes e algumas alas internas do próprio PTB, segundo os anais. Porém, após superados os atritos, a chapa envolvendo Daniel Dipp para prefeito e Mário Menegaz a vice foi consagrada vencedora para o período entre 1952 e 1956.

Em seu mandato como chefe do executivo Municipal, Daniel mostrou preocupação com áreas como a instrução pública, com o problema rodoviário e com a remodelação da cidade. Ele também deu atenção especial à melhoria de condições da população do interior.

Dentre as obras mais relevantes em seu período como prefeito constam a instalação do Hospital Municipal, anos mais tarde batizado como Dr. César Santos, a construção do aeroporto Lauro Kortz e a criação da Rádio Municipal de Passo Fundo. Nesse espaço de tempo, ainda foi feita a legalização dos terrenos da zona urbana de Passo Fundo, o que deu fim a uma pendência quase centenária que existia ente a prefeitura municipal e a Mitra Diocesana.

Segundo os registros, outras obras foram realizadas durante seu mandato, tais como a construção de 40 escolas no interior de Passo Fundo, a contratação da execução do Plano Diretor da Cidade, além da instalação do Centro de Saúde. O asfaltamento da região central do município e a remodelação da Avenida Brasil também estão na lista de realizações.

Um dado curioso, é que essa gama de obras iniciadas e/ou concluídas foi no período de um ano e três meses de gestão, pois Daniel se lançou candidato à Câmara Federal em 1954. Com o seu prestígio político no auge, ele foi eleito deputado federal, representando a cidade em Brasília, então recém nova capital do Brasil, no mandato de Juscelino Kubitschek. Sua marcante atuação no Congresso faria seu nome ser cogitado para Ministro de Governo. Neste mesmo ano, Daniel seria membro fundador e integrante da primeira diretoria do Centro de Estudos Históricos de Passo Fundo. Essa entidade foi criada com o intuito de resgatar e manter o processo histórico do município.

Em 1957, tornou-se professor de direito administrativo da Faculdade de Direito de Passo Fundo. No pleito de outubro de 1958, reelegeu-se deputado federal ainda pelo PTB. Em 1960 deixou o PTB, alinhando-se com a dissidência liderada por Fernando Ferrari que deu origem ao Movimento Trabalhista Renovador (MTR).

Após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, votou a favor da Emenda Constitucional nº 4 (no dia 2/9/1961), que implantou no país o sistema parlamentarista de governo que possibilitou, cinco dias depois, a posse do vice-presidente João Goulart, vetada pelos ministros militares.

Por essa época aderiu à ação democrática parlamentar, grupo interpartidário que tinha por objetivo combater a infiltração comunista na sociedade brasileira e que desenvolveria intensa oposição ao governo Goulart. Também em novembro de 1961, apoiou a Emenda Constitucional nº 5 que ampliou a participação dos municípios na arrecadação tributária nacional.

Em seu segundo mandato como deputado federal, Daniel Dipp foi membro das comissões de Economia e de Orçamento da Câmara dos Deputados, presidente da comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigou os problemas da triticultura e membro da CPI instaurada para apurar irregularidades na administração do então território do Acre.

Candidatou-se mais uma vez à Câmara Federal em novembro de 1966 e em novembro de 1970, nesta oportunidade pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Ele conquistou apenas uma suplência nas duas oportunidades, afastou-se da vida pública e passou a advogar em seu escritório, na cidade de Passo Fundo.

Após a extinção do bipartidarismo, em 21 de novembro de 1979, e a consequente reformulação partidária, participou da fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Durante sua atuação na via pública, mesmo quando não esteve em cargos eletivos, manteve sua reputação como idealista e perseverante nos interesses de Passo Fundo.

Foi casado com Helena Langaro Dipp, com quem teve três filhos: Gílson Dipp, que chegou a ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 1998; Aírton Dipp, eleito prefeito de Passo Fundo para três mandatos (1989, 2005 e 2009) e eleito deputado federal por duas vezes (1994 e 1998), sempre pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT); e Hamilton Langaro Dipp, advogado e Juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS).

Daniel Dipp foi membro atuante na Academia Passo-Fundense de Letras. Ele ainda é patrono do Centro Integrado de Educação Popular (CIEP) Municipal, localizado na Vila Hípica. Ele faleceu em Passo Fundo no dia 25 de novembro de 1987. O Distrito Industrial da cidade e o CIEP citado levam seu nome atualmente.

Arte: Comunicação/CMPF